PARANÁ|BRASIL
9 em cada 10 brasileiros não sabem que esta doença está entre as que mais matam no país; veja sintomas
9 em cada 10 brasileiros não sabem que esta doença está entre as que mais matam no país; veja sintomas
Uma doença respiratória que está entre as principais causas de morte no Brasil ainda é desconhecida pela grande maioria da população. Apenas 10% dos brasileiros afirmam conhecer ou já ter ouvido falar da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), segundo uma pesquisa inédita do Datafolha em parceria com a farmacêutica GSK. Mais preocupante ainda: somente 3% dos entrevistados conseguiram identificar corretamente o significado da sigla.

Os dados mostram que, apesar de atingir os pulmões e comprometer progressivamente a respiração, a DPOC ainda passa despercebida por boa parte da população. O desconhecimento também pode contribuir para que os sinais da doença sejam ignorados e para que o diagnóstico aconteça somente anos depois do surgimento dos primeiros sintomas.
De acordo com o Ministério da Saúde, a DPOC é atualmente a quinta principal causa de morte entre pessoas de todas as idades no Brasil. Nas últimas décadas, a doença também esteve entre as cinco principais causas de internação no Sistema Único de Saúde (SUS) entre pessoas com mais de 40 anos.

Diagnóstico pode demorar anos
O levantamento revela outro dado que chama a atenção: 42% dos pacientes demoraram mais de três anos entre o aparecimento dos primeiros sintomas e a confirmação do diagnóstico de DPOC.
O intervalo prolongado pode estar relacionado à dificuldade de reconhecer os sinais da doença. Tosse persistente, catarro, falta de ar e chiado no peito, por exemplo, muitas vezes são tratados como consequências naturais do envelhecimento ou do próprio hábito de fumar.
A pneumologista Maria Cecília Maiorano, coordenadora da pós-graduação em Pneumologia da Afya Educação Médica São Paulo, alerta que esses sintomas não devem ser considerados normais.
“Um ponto importante é que a DPOC pode permanecer silenciosa durante muitos anos.”
Segundo a especialista, tosse frequente, catarro, falta de ar aos esforços e chiado merecem avaliação médica. Quando houver indicação, a investigação pode incluir a espirometria, exame utilizado para avaliar o funcionamento dos pulmões.
Tabagismo é um dos principais fatores associados
A DPOC afeta principalmente os pulmões e provoca uma dificuldade progressiva para a passagem do ar pelas vias respiratórias. O tabagismo é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da doença, incluindo o consumo de cigarros e outros produtos derivados do tabaco.
Isso não significa, porém, que apenas fumantes possam desenvolver problemas respiratórios. A exposição prolongada a outros agentes irritantes também pode estar relacionada ao surgimento de doenças pulmonares, o que reforça a importância da avaliação médica diante de sintomas persistentes.
Quais são os sintomas da DPOC?
Identificar os sinais precocemente pode ajudar a levar o paciente a procurar atendimento e investigar a causa dos problemas respiratórios.
Entre os sintomas associados à DPOC estão:
Falta de ar: o paciente pode ficar ofegante e apresentar dificuldade para respirar, especialmente durante esforços.
Tosse persistente: pode ser acompanhada de produção frequente de secreção ou catarro.
Secreção: o muco pode ser espesso e apresentar coloração amarelada ou esverdeada.
Chiado no peito: é um ruído semelhante a um assobio produzido durante a respiração.
Um dos principais problemas é que esses sinais podem ser normalizados pelo próprio paciente, principalmente quando existe histórico de tabagismo.
A orientação dos especialistas é não considerar tosse constante ou falta de ar como algo inevitável para quem fuma ou para quem envelheceu.
Quase todos tiveram algum sintoma respiratório
A pesquisa também mostra que sintomas respiratórios são muito mais comuns do que o conhecimento sobre a DPOC. Entre os entrevistados, 92% afirmaram ter apresentado pelo menos um sintoma respiratório nos 12 meses anteriores ao levantamento.
Ao mesmo tempo, a percepção sobre esses sintomas revela um cenário de normalização que pode dificultar a busca por atendimento médico. Cerca de 62% dos entrevistados acreditam que tosse ou falta de ar só precisam ser avaliadas quando começam a atrapalhar as atividades do cotidiano.
Outro dado chama a atenção: 57% consideram normal sentir falta de ar com o envelhecimento, enquanto a mesma proporção entende que a tosse frequente é um efeito normal do tabagismo. Esse comportamento pode fazer com que sinais importantes sejam ignorados durante anos.
História de Carla mostra como a doença pode passar despercebida
A publicitária Carla Comini, de 63 anos, descobriu a DPOC depois de ter fumado durante 32 anos. Até então, ela não conhecia a doença. A busca por atendimento médico aconteceu depois que a irmã foi diagnosticada com câncer de pulmão em estágio metastático.
“Fui buscar um pneumologista porque a minha irmã foi diagnosticada com câncer de pulmão em estado metastático, né? E ela tinha dores e aí eu fiquei com medo e acabei indo no médico”, relatou Carla.
Hoje, ela atua como embaixadora e voluntária da Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas (ABRAF), auxiliando outras pessoas que convivem com doenças respiratórias.
Entre os cuidados adotados por Carla estão exercícios respiratórios e atividade física. “Eu faço muita respiração, exercícios respiratórios, que é para poder manter meu pulmão ativo. Faço o máximo que eu puder de atividade física”, contou.
Como reduzir os riscos de doenças respiratórias?
A prevenção passa principalmente pela redução da exposição a fatores que podem prejudicar os pulmões.
Entre as medidas recomendadas estão:
• não fumar;
• evitar a exposição ao tabaco;
• praticar atividade física regularmente;
• manter uma alimentação equilibrada;
• procurar avaliação médica diante de sintomas respiratórios persistentes.
Para quem apresenta tosse frequente, catarro, falta de ar ou chiado no peito, especialmente quando os sintomas são recorrentes ou estão piorando, a recomendação é procurar um profissional de saúde.
Pesquisa ouviu mais de 2 mil brasileiros
O levantamento Datafolha/GSK ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em todas as regiões do Brasil. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Os resultados revelam um contraste importante: enquanto a DPOC está entre as principais causas de morte e internação no país, o conhecimento da população sobre a doença permanece muito baixo.
PARANÁ|BRASIL
Falso médico engana hospital no Paraná, acessa dados de pacientes e aplica golpe do Pix em familiares
Falso médico engana hospital no Paraná, acessa dados de pacientes e aplica golpe do Pix em familiares
Criminoso fingiu ser funcionário da Central de Leitos do SUS para obter informações de internados no Hospital São Lucas, em Laranjeiras do Sul
Um golpista se passando por médico conseguiu enganar a equipe do Hospital São Lucas, em Laranjeiras do Sul, na região central do Paraná, para acessar dados sigilosos de pacientes e extorquir dinheiro de seus familiares. O crime, registrado no último sábado (5), resultou em prejuízo financeiro para pelo menos uma das vítimas.

Utilizando as informações obtidas de forma fraudulenta junto à unidade de saúde, o criminoso entrou em contato com os parentes dos internados exigindo transferências bancárias via Pix.A justificativa do estelionatário era a necessidade de comprar medicamentos urgentes, sob a falsa alegação de que o Sistema Único de Saúde (SUS) demoraria pelo menos três dias para fornecê-los.
A Polícia Militar informou que a fraude teve início quando o homem telefonou para o hospital fingindo ser um funcionário da Central de Leitos, órgão do SUS que gerencia a distribuição de vagas e transferências. Utilizando o nome de um médico, ele pediu que uma funcionária da unidade confirmasse os dados de pacientes que aguardavam na fila de regulação.
Com os contatos em mãos, o golpista passou a enviar mensagens e fazer ligações para os familiares a partir do mesmo número de telefone. Pelo menos três famílias foram contatadas durante a ação criminosa. A filha de um dos pacientes, acreditando na urgência da situação, chegou a transferir R$ 554 para o suspeito. Ela só percebeu que havia caído em um golpe quando o criminoso solicitou uma nova transferência e o sistema de segurança da instituição bancária bloqueou a transação.
Ao constatarem a fraude, os familiares alertaram a funcionária do hospital, que imediatamente acionou a Polícia Militar para o registro do boletim de ocorrência. O caso agora deve ser encaminhado à Polícia Civil para investigação e identificação do suspeito. Esse mesmo formato de crime, com a utilização do nome do mesmo médico, já havia sido registrado há cerca de quatro meses na cidade de Toledo, no oeste paranaense.
Na ocasião, o golpista contatou pacientes em cuidados paliativos da rede municipal fazendo as mesmas exigências financeiras. As autoridades de saúde reforçam que nenhuma unidade básica, pronto-atendimento ou hospital público está autorizado a cobrar por fora por consultas, exames, procedimentos ou medicamentos. Pedidos de transferência via Pix, especialmente os que envolvem urgência e pressão emocional, configuram crime e devem ser imediatamente denunciados aos canais oficiais das instituições de saúde.
Escrito por Da Redação TN online

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